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Para cada escola, uma biblioteca


LEITURA

Publicado no Brasil pelo Conselho Regional de Biblioteconomia, documento produzido nos Estados Unidos cita medidas necessárias para a formação de leitores no século 21, como o fortalecimento da biblioteca escolar
IZABEL LEÃO
O Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo acaba de traduzir para a língua portuguesa o documento Standards for the 21st Century Learner (Parâmetros para o Aprendiz do Século 21), elaborado pela Associação Americana de Bibliotecários Escolares (AASL, na sigla em inglês) e publicado pela Associação Americana de Bibliotecas. O objetivo da iniciativa é que os bibliotecários possam compreender melhor quem é o leitor deste século, além de alertar e orientar esses profissionais para a importância da educação para o desenvolvimento da competência em informação, desde a escola fundamental e média até o ensino superior. Com isso, espera-se promover a autonomia do cidadão para a solução de problemas e aprimoramento pessoal ao longo da vida, tornando-o capaz de contribuir para o desenvolvimento pleno da sociedade.
Esse documento corrobora a promulgação da Lei 12.244, de 24 de maio de 2010, que estabelece a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do Brasil. Até o ano de 2020, todas as escolas brasileiras deverão ter uma biblioteca e toda biblioteca escolar, um bibliotecário.
O documento contém oito páginas, que definem que a competência em informação é indispensável ao aprendiz deste século. Ele propõe que a aprendizagem deixe de ser passiva e passe para ações mais ativas. Também estabelece que é na biblioteca da escola – lugar no qual se oferece acesso democrático aos recursos e ferramentas necessários para a aprendizagem – que o estudante aprende a definir as necessidades de informação, busca, localização e organização, utilizando essa informação para criar novos conhecimentos. “Portanto, a biblioteca, reconhecida tradicionalmente como espaço de pesquisa e leitura por excelência, precisa buscar novas maneiras de promover o aprendizado autônomo e continuado de toda a comunidade escolar”, explica a coordenadora da Comissão de Educação do Conselho Regional de Biblioteconomia, Rosana Telles, tradutora do documento.
Cenário atual – Segundo o documento, diante da  velocidade e do volume com que as informações e conhecimentos são produzidos e disseminados, não é mais possível que os conteúdos curriculares da escola se mantenham válidos por muito tempo. Nesse cenário, é essencial que o estudante aprenda a aprender, sendo capaz de avaliar o seu próprio desempenho e construir sua autonomia informacional, elemento necessário para que seja bem-sucedido em sua vida pessoal, social e profissional.
Mais conhecido como nativo digital, aquele que nasceu e cresceu com as tecnologias digitais, e reconhecido pela AASL como aprendiz do século 21, é importante que esse indivíduo consiga reconhecer quando a informação é necessária e ter capacidade de localizá-la, avaliá-la, transformá-la e compartilhá-la.
O documento estabelece, ainda, que é na biblioteca da escola, por meio de programas específicos desenvolvidos pelo bibliotecário em parceria com os professores, que os alunos aprenderão a lidar com a informação, matéria-prima para a criação de novos conhecimentos.
Para Rosana, algumas medidas podem ser adotadas para implementar esse novo modelo, como, por exemplo, a reorganização da grade horária escolar para os ensinos infantil e fundamental, permitindo que cada classe visite a biblioteca uma vez por semana, ficando sob a orientação e cuidado do bibliotecário.
Outra medida seria a elaboração de currículo integrado para capacitação informacional (a ser cumprido no decorrer da vida escolar), preparando o estudante brasileiro para um melhor desempenho na vida acadêmica.
A coordenadora acrescenta ainda uma parceria entre bibliotecários e professores atuando como educadores, usando as competências específicas de cada área (competências informacionais e conhecimento sobre o currículo) para criar experiências significativas de aprendizagem.
Convivência – Como deve ser o papel da biblioteca dentro desse contexto?  Para a diretora da Divisão de Desenvolvimento e Inovação do Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP, Elisabeth Adriana Dudziak, a biblioteca da atualidade deve ser um centro de aprendizagem, convivência e expressão, onde a busca de informação, em qualquer suporte, e a troca de ideias promovam oportunidades de criação e de inovação pelo compartilhamento. “Como espaço arquitetônico, deve acolher, proporcionando um ambiente adequado aos seus propósitos. Como organização, deve estar centrada no usuário e no atendimento às suas necessidades. Como agente de transformação, a biblioteca deve ser o centro irradiador de mudanças, engajada plenamente com as atividades  de ensino, pesquisa e extensão universitárias”, ressalta.
Nesse sentido, Elisabeth explica que o Sibi promove ações para o desenvolvimento da competência em informação das equipes bibliotecárias, de modo que as mesmas atuem como agentes multiplicadores junto às suas comunidades, bem como em parcerias com docentes e alunos em projetos acadêmicos.
Rosana Telles vê a consolidação da biblioteca como espaço escolar quando o foco da ação estiver tanto na sala de aula quanto na biblioteca, embasando a aprendizagem em fonte de pesquisa. “A biblioteca pode se tornar um espaço propício em que as partes envolvidas – bibliotecários, professores, alunos e comunidade escolar em geral – se beneficiarão do engajamento no processo contínuo de aprendizagem e da formação de redes humanas para compartilhamento de conhecimento”, reflete.
A utilização dos Parâmetros para o Aprendiz do Século 21 pelo bibliotecário para formar melhor o aluno deve partir de algumas convicções compartilhadas. Segundo Rosana, “a atitude ética no uso da informação deve ser ensinada; as competências tecnológicas são cruciais para as futuras exigências do mercado de trabalho; a contínua expansão da informação demanda que todos os indivíduos adquiram a capacidade de pensar, a qual possibilitará a autonomia na aprendizagem. O documento é, em última instância, uma proposta para a educação global do indivíduo/cidadão.”
Livro impresso – O diretor da Editora da USP (Edusp), professor Plinio Martins Filho, se mostra preocupado com o fato de que se tem dado tamanha importância para a disseminação do uso das tecnologias, em detrimento do incentivo à leitura do livro impresso.  Para ele, o livro impresso, como tecnologia de armazenamento e transmissão de conhecimento, segue insuperado. “A leitura pode ser em qualquer suporte. O que se deve avaliar é qual a eficiência de cada um desses meios. Se a leitura no suporte digital está formando pessoas ou informando.”
Para ele, a biblioteca deve ser um lugar acessível a todos e que funcione dia e noite, inclusive no final de semana, se queremos um país com muitos leitores. “Inclusive a Universidade deveria valorizar mais suas bibliotecas nesse sentido, permitindo o acesso a todos a qualquer momento. Numa universidade como a USP, em que as bibliotecas dificultam acesso ao livro e fecham a qualquer movimento de greve, isso mostra a falta de comprometimento com o público, como também comprova que as pessoas que convivem na Universidade não dão muita importância para o livro em sua formação. Isso assusta. Os estudantes ficam sem acesso às bibliotecas e ninguém reclama.”
documento Parâmetros para o Aprendiz do Século 21 pode ser encontrado no endereço eletrônicowww.crb8.org.br.

Bienal do Livro 2010

Data e Horário:
Dia 12 de Agosto: das 10h às 22h
- Exclusivo para os profissionais do setor literário

Dia 13 de Agosto: das 10h às 22h PROMOÇÃO ESPECIAL!*
- Público em geral

Dias 13 a 21 de Agosto: das 10h às 22h
- Público em geral

Dia 22 de Agosto: das 10h às 20h, com entrada so até as 18h
- Público em geral

*PROMOÇÃO ESPECIAL! Entrada gratuita para quem comparecer ao evento fantasiado do seu personagem favorito.
Para validar a sua entrada na Bienal do Livro é obrigatório apresentar uma foto do personagem representado.

Local:
Pavilhão de Exposições do Anhembi
São Paulo, SP

Ingressos: vendas apenas na bilheteria da Bienal do Livro de São Paulo
Entrada inteira – R$ 10,00
Meia-entrada – R$ 5,00**

**Os estudantes devem apresentar documento de identificação estudantil com data de validade. Caso no documento apresentado não conste data de validade, deverá ser apresentado outro que comprove a matrícula ou a frequência no ano letivo em curso acompanhado de carteira de identidade.

Os idosos, acima de 65 anos, não pagam ingresso apresentando carteira de identidade para comprovação.

Menores de 12 anos não pagam.

PREMIO VIVALEITURA 2010

O Vivaleitura 2010 prorrogou o prazo final para a inscrição de projetos para o dia 02 de agosto. Até esta data, trabalhos de incentivo à leitura provenientes de todo o país poderão ser inscritos via site ou por correio (Caixa Postal 71037-7 - CEP 03410-970 - São Paulo – SP). Esta é a quinta edição do Vivaleitura, que tem duração inicial prevista para dez anos (2006-2016) e é a maior premiação individual para o fomento à leitura no Brasil. Durante as quatro edições anteriores, cerca 8,5 mil projetos foram inscritos, 75 classificados como finalistas e 12 premiados.

Para esta edição, a coordenadoria já recebeu inscrições de todas as regiões do Brasil, confirmando a abrangência nacional que o Vivaleitura conquistou. Em função da Copa do Mundo, a organização do prêmio prorrogou as inscrições. Trabalhos em prol da leitura desenvolvidos por instituições, empresas, órgãos públicos e pessoas físicas do Brasil inteiro podem ser inscritos em três categorias distintas. São elas: (1) Bibliotecas públicas, privadas e comunitárias; (2) Escolas públicas e privadas; e (3) Sociedade: empresas, ONGs, pessoas físicas, universidades e instituições sociais.

Para a fase final da premiação, a comissão avaliadora selecionará 5 projetos de cada categoria, de acordo com critérios como originalidade, dinamismo da ação na construção da cidadania, recursos utilizados, pertinência da ação desenvolvida com a comunidade, abrangência, duração e resultados alcançados, entre outros. Em cada categoria, os vencedores receberão um prêmio de R$ 30 mil.

Vivaleitura
Bienal do livro 2010

Os professores, profissionais do livro e bibliotecários poderão visitar gratuitamente a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 12 a 22 de agosto de 2010, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, zona norte da capital paulista.
Os professores, profissionais do livro e bibliotecários poderão visitar gratuitamente a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 12 a 22 de agosto de 2010, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, zona norte da capital paulista.
Segundo a organização da Bienal, a ideia é incentivar a participação desses profissionais, dando a eles a oportunidade de conferir a extensa programação cultural do evento, e de conhecerem as novidades editoriais e as tendências indicadas para este mercado durante a feira.
Para poder se beneficiar da entrada gratuita, basta que professores, bibliotecários ou profissionais do livro apresentem à entrada um documento que comprove seu vínculo com alguma instituição de ensino, biblioteca, editora, distribuidora, livraria, empresa de venda direta ou porta a porta ou gráfica.
O primeiro dia do evento, porém, é dedicado exclusivamente à visitação de profissionais do mercado editorial.


Este ano a Bienal trará mais de 700 atividades distribuídas durante 11 dias, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Zona Norte da capital paulista.
Nesta edição, os organizadores prometem novos formatos, grande interatividade e a presença de conceituados escritores brasileiros e autores internacionais, que formarão a grade mais pluralista dos 40 anos de evento. A programação focará quatro temas principais: Monteiro Lobato; Clarice Lispector; Lusofonia; e Livro Digital.
Realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e organizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem o objetivo de ampliar a base de leitores e democratizar o acesso ao livro – com reflexos imediatos à cidadania. A expectativa é reunir 350 expositores do Brasil e de fora, que representam mais de 900 selos editoriais.
Terceiro maior evento do gênero do mundo – os dois maiores são a Feira do Livro de Frankfurt e a Feira Internacional do Livro de Turim –, a Bienal do Livro chega em 2010 a sua 21ª edição.

21ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO
Data: 12 a 22 de agosto de 2010
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1.209 - São Paulo/SP

A leitura na universidade e o livro digital em debate

Os estudantes estão lendo menos e as bibliotecas de escolas e de universidades estão cada vez mais vazias. Por outro lado, as formas de acesso à leitura, por meio dos livros digitais e de bibliotecas virtuais, têm potencial para ampliar significativamente o número de leitores. Esse é o foco dos debates da XXIII Reunião Anual da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU), que começou nesta segunda-feira, 07, e que segue até quinta-feira, 10 de junho. O evento vai reunir especialistas, acadêmicos, estudantes, editores e demais interessados no auditório da Editora Unesp para discutir a leitura na universidade e o livro digital.

O Secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo, Carlos Vogt, que participou da mesa de abertura, destacou que o distanciamento do jovem da leitura é simultâneo às novas formas de acesso à leitura. “Há grandes instituições interessadas na circulação de livros: editoras, livrarias, grandes projetos de bibliotecas a disponibilizar a forma de acesso”, afirmou. Para ele, estamos vivendo um período de expansão do formato eletrônico de leitura, sem que o livro no formato de papel se extingua. “O livro tradicional convive hoje com novas formas de circulação dos conteúdos e dificilmente isso levará ao desaparecimento da forma tradicional do livro. O livro eletrônico traz uma ampliação das possibilidades de pesquisa”, disse.

No mesmo sentido, o Secretário Municipal de Cultura de São Paulo e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Carlos Augusto Calil, revelou ter observado um esvaziamento das bibliotecas nas universidades. “A questão da leitura tem sido um problema que se agrava ao longo do tempo. Cada vez mais os alunos preferem pesquisar na internet a buscar livros na biblioteca”, disse. Por outro lado, o interesse pelo livro permanece: “Temos um projeto de ônibus-biblioteca que promovem um grande interesse quando chegam à periferia de São Paulo”.

Para a presidente da Associação Brasileira de editoras universitárias (ABEU), Flavia Goulart Mota Garcia Rosa, as mudanças nas formas de leitura e de pesquisa na atual sociedade do conhecimento são grandes e as editoras universitárias precisam acompanhar o ritmo. “Precisamos estar atentos às novas tecnologias possibilitadas pela Sociedade do Conhecimento. Os questionamentos são muitos, pois envolvem o acesso e a distribuição dos livros”, disse.

O diretor-presidente da Fundação Editora da Unesp, José Castilho Marques Neto, que sedia o evento, reforçou a importância das editoras universitárias que, na opinião dele, “devem falar com o mundo e não apenas com o público universitário”. Ele destacou que é importante que as editoras universitárias respeitem regras mercadológicas e de distribuição, que faça ações de marketing: “queremos ser lidos”. No entanto, ele destacou que a função das editoras universitárias é também “formar os estudantes”.

O evento “A leitura na universidade e o livro digital” conta ainda com uma Feira de Livros com exemplares de cerca de cem editoras universitárias de todo o país. A programação está disponível no link: http://www.editoraunesp.com.br/abeu2010/

Por Sabine Righetti 07/06/10

Fonte: Com Ciência - Rev. Eletrônica de Jornalismo Científico


Ministério da Cultura fomenta livros para pessoas cegas

O Ministério da Cultura publicou hoje (7) no Diário Oficial da União o Edital de Fomento à Produção, Difusão e Distribuição de Livros em Formato Acessível voltado para apoiar entidades privadas sem fins lucrativos. Serão investidos R$ 1 milhão em projetos que fomentem a produção, difusão e distribuição de livros em formato acessível para pessoas com deficiência visual, ou seja, livros convertidos por meio de técnicas especializadas de adaptação, que proporcionem descrição ou narração das possíveis representações gráficas presentes na obra, nos formato Daisy, Braille, livro falado (voz humana ou sintetizada) ou outro formato que permita o acesso de todas as pessoas, prioritariamente aquelas com deficiência visual, ao seu conteúdo, excetuados os livros didáticos. As inscrições encerram no dia 22 de julho.

O edital tem três categorias: infraestrutura de produção de livros em formato acessível; produção e distribuição de livros em formato acessível e capacitação e difusão em livros em formato acessível. De acordo com dados do IBGE (Censo 2000), o Brasil tem 2,5 milhões de pessoas cegas ou com deficiência visual severa.

Pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendada pelo Ministério da Cultura, revelou que apenas 9% das bibliotecas públicas municipais possuem seção Braille. Aliado a isso, durante o ano passado, a Diretoria de Direitos Intelectuais da Secretaria de Políticas Culturais juntamente com a Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, da Secretaria de Articulação Institucional, realizou uma série de reuniões com associações que representam pessoas com deficiência visual e entidades que trabalham com a produção de livros acessíveis e constatou a carência de obras literárias em formatos acessíveis disponíveis para pessoas cegas ou com baixa visão. “A democratização do acesso ao livro passa também pela necessidade de oferta de formatos acessíveis. Por isso que os editais do Ministério da Cultura, na área de livro e leitura, têm contemplado a exigência de livros nestes formatos”, afirma o diretor de Livro, Leitura e Literatura da Secretaria de Articulação Institucional do MinC, Fabiano dos Santos Piúba. O diretor de Direitos Intelectuais da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, Marcos Alves de Souza, acrescenta que “não é possível aumentar a demanda sem que se invista também em estruturas de produção e distribuição destes livros, garantindo uma rede descentralizada e que considera as particularidades regionais”.

Na categoria infraestrutura de produção de livros em formato acessível serão selecionadas, no mínimo, três propostas, de até R$ 160 mil cada uma. Os recursos poderão ser usados para a criação de um centro de produção de livros em formato acessível ou sua ampliação. Os livros deverão ser distribuídos exclusivamente a pessoas com deficiência visual ou entidades que lhes atendam (associações, bibliotecas, entre outras).

A segunda categoria, voltada à produção e distribuição destes livros, contemplará projetos de adaptação e reprodução de livros que deverão ser distribuídos gratuitamente para o público atendido pela instituição. Serão selecionadas, no mínimo, duas propostas, no valor máximo de R$ 200 mil cada.

A terceira categoria do edital é destinada à capacitação e difusão, sendo selecionadas, no mínimo, duas iniciativas, no valor máximo de R$ 60 mil cada. Os projetos poderão ser de capacitação (por meio de cursos, treinamentos e outras atividades visando a transcrição, adaptação operação de programas e equipamentos que envolvam a produção e reprodução de livros em formato acessível) e difusão (de informações sobre livros acessíveis, entidades produtoras, acervos existentes ou práticas bem sucedidas nessa esfera).

As inscrições deverão ser feitas por correio eletrônico e toda a documentação deve ser enviada por correio postal. A seleção dos projetos será feita por uma comissão. Após a divulgação dos resultados de cada etapa de seleção, o proponente terá prazo de cinco dias úteis para interpor recurso. O resultado será publicado no Diário Oficial da União e no site www.cultura.gov.br, sendo de total responsabilidade do proponente acompanhar a atualização de informações em ambos.



Outras iniciativas de apoio à acessibilidade



Até o próximo dia 15 de junho, o Ministério da Cultura está com Edital Mais Cultura de Apoio a Bibliotecas aberto. Neste edital, além da exigência em todas as categorias de um percentual mínimo de livro acessíveis, há uma categoria específica para o segmento, voltada para o apoio a bibliotecas acessíveis. Serão investidos R$ 85 mil para cada projeto, totalizando 30. O valor poderá ser aplicado para a compra de acervo e de equipamentos e mobiliário destinados a pessoas com deficiência; capacitação de funcionários voltados para aperfeiçoar a gestão e o atendimento e serviços oferecidos aos usuários com deficiência; ampliação ou reforma física do espaço, adequando-o aos portadores de necessidades especiais, e a criação de programação sócio-cultural.

Junto com a Associação Nacional de Cegos do Rio Grande do Sul (Acergs), o MinC desenvolve o projeto piloto para uma Rede Nacional de Produção de Livros Acessíveis para pessoas com deficiência visual. O projeto prevê a estruturação do centro de produção de livros em formatos acessíveis e a qualificação de recursos humanos para trabalhar nesta produção. Junto com a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Lamara), desenvolve o “Projeto inclusão no mundo da cultura através do acesso à escrita e à leitura Braille”, que prevê a compra e adaptação de máquinas de escrever Braille e a produção de material explicativo para possibilitar que 15 mil estudantes cegos tenham acesso ao mundo da leitura por meio do Braille.

Além disso, na regulamentação da Lei do Livro, a acessibilidade também está contemplada ao exigir que toda obra publicada em território nacional deva estar disponível pelas editoras para venda ao consumidor interessado, por meio de versões em formato acessível ou em arquivo em formato digital, bem como ao prever a expansão de bibliotecas acessíveis.


Fonte: MS Notícias 07/06/10




Pecados públicos

Não reclamo. Apenas constato. Tem ficado cada vez mais difícil a gente se reconciliar com os erros cometidos. O motivo é simples. A vida privada acabou. O acontecimento particular passa a pertencer a todos. A internet é um recurso para que isso aconteça. Os poucos minutos noticiados não cairão no esquecimento. Há um modo de fazê-los perdurarem. Quem não viu poderá ver. Repetidas vezes. É só procurar o caminho, digitar uma palavra para a busca.

Tudo tem sido assim. A socialização da notícia é um fato novo, interessantíssimo. Possibilita a informação aos que não estavam diante da TV no momento em que foi exibida.

A internet nos oferece uma porta que nos devolve ao passado. Fico fascinado com a possibilidade de rever as aberturas dos programas do meu tempo de infância. As imagens que permaneciam vivas no inconsciente reencontram a realidade das cores, movimentos e dos sons.

Mas o que fazer quando a imagem disponível refere-se ao momento trágico da vida de uma pessoa? Indigência exposta, ferida que foi cavada pelos dedos pontiagudos da fragilidade humana? Ainda é cedo para dizer. Este novo tempo ainda balbucia suas primeiras palavras.

O certo é que a imagem eterniza o erro, o deslize. Ficará para posteridade. Estará resguardada, assim como o museu resguarda documentos que nos recordam a história do mundo.

Coisas da contemporaneidade. Os recursos tecnológicos nos permitem eternizar belezas e feiúras.

Uma fala sobre o erro. Eles nascem de nossa condição humana. Somos falíveis. É estatuto que não podemos negar. Somos insuficientes, como tão bem sugeriu o filósofo francês, Blaise Pascal. O bem que conhecemos nem sempre atinge nossas ações. Todo mundo erra. Uns mais, outros menos. Admitir os erros é questão de maturidade. Esperamos que todos o façam. É nobre assumir a verdade, esclarecer os fatos. Mais que isso. É necessário assumir as conseqüências jurídicas e morais dos erros cometidos. Não se trata de sugerir acobertamento, nem tampouco solicitar que afrouxem as regras. Quero apenas refletir sobre uma das inadequações que a vida moderna estabeleceu para a condição humana.

Tenho aprendido que o direito de colocar uma pedra sobre o erro faz parte de toda experiência de reconciliação pessoal. Virar a página, recomeçar, esquecer o peso do deslize é fundamental para que a pessoa possa ser capaz de reassumir a vida depois da queda. É como ajeitar uma peça que ficou sem encaixe. O prosseguimento requer adequação dos desajustes. E isso requer esquecer. Depois de pagar pelo erro cometido a pessoa deveria ter o direito de perder o peso da culpa. O arrependimento edifica, mas a culpa destrói.

Mas como perder o malefício do erro se a imagem perpetua no tempo o que na alma não queremos mais trazer? Nasce o impasse. O homem hoje perdoado ainda permanecerá aprisionado na imagem. A vida virtual não liberta a real, mas a coloca na perspectiva de um julgamento eterno. A morbidez do momento não se esvai da imagem. Será recordada toda vez que alguém se sentir no direito de retirar a pedra da sepultura. E assim o passado não passa, mas permanece digitalizado, pronto para reacender a dor moral que a imagem recorda.

Estamos na era dos pecados públicos. Acusadores e defensores se digladiam nos inúmeros territórios da vida virtual. Ambos a acenderem o fogo que indica o lugar onde a vítima padece. A alguns o anonimato encoraja. Gritam suas denúncias como se estivessem protegidos por uma blindagem moral. Como se também não cometessem erros. Como se estivessem em estado de absoluta coerência. No conforto de suas histórias preservadas, empunham as pedras para atacar os eleitos do momento.

O fato é que o pecador público exerce o papel de vítima expiatória social. Nele todas as iras são depositadas porque nele todas as misérias são reconhecidas. No pecado do outro nós também queremos purgar o pecado que está em nós. Em formatos diferentes, mas está. Crimes menores, maiores; não sei. Mas crimes. Deslizes diários que nos recordam que somos território da indigência. O pecador exposto na vitrine deixa de ser organismo. Em sua dignidade negada ele se transforma em mecanismo de purificação coletiva. É preciso cautela. Nossos gritos de indignação nem sempre são sinceros. Podem estar a serviço de nossos medos. Ao gritar a defesa ou a condenação podemos criar a doce e temporária sensação de que o erro é uma realidade que não nos pertence. Assumimos o direito de nos excluir da classe dos miseráveis, porque enquanto o pecador permanecer exposto em sua miséria, nós nos sentiremos protegidos.

Mas essa proteção que não protege é a mãe da hipocrisia. Dela não podemos esperar crescimento humano, nem tampouco o florescimento da misericórdia. Uma coisa é certa. Quando a misericórdia deixa de fazer parte da vida humana, tudo fica mais difícil. É a partir dela que podemos reencontrar o caminho. O erro humano só pode ser superado quando aquele que erra encontra um espaço misericordioso que o ajude a reorientar a conduta.

Nisso somos todos iguais. Acusadores e defensores. Ou há alguém entre nós que nunca tenha necessitado de ser olhado com misericórida?

Pe. Fabio de Melo